17.9.19

cardamomo de manhã

a borboleta laranja
no frescor da rega
bem perto
cheiro bom

fazer da casa uma espécie de floresta: estou quase lá. tem planta no quintal, na sala, no escritório, na cozinha, no banheiro. que calma gostosa existir assim. a louça que nunca acaba e tudo bem. o barulho que nunca acabará e tudo bem. o ônibus que tem sempre uma bunda espaçosa tomando o outro lugar e tudo bem (um dia ainda escrevo um texto especialmente sobre as bundas de atitude). aranhas passando bem perto e tudo bem. o calor me deixando mais lenta e tudo bem. o sonho que eu não entendo e tudo bem. as cortadeiras querendo meu gerânio e tudo bem. as tarefas mentais e pseudo demandas euforicamente disputando minha atenção e eu tendo de dizer a elas com todo amor possível "vão todas tomar no cu" (opa, só agora percebo que com esse texto molho meus pezinhos no lago turvo da irritação). marte em libra que precisa disto: entrar e sair da raiva com alguma poesia, com algum humor. mas a coisa arde: estou vivenciando minha fase holly. 

florais ajudam, ajudam muito. esse lado irascível que aflora quando vem um barulho. só a minha pele sabe o que é: chega a queimar. ontem pra dormir foi um tanto difícil. tentei som de ventilador, som de mar, som de bugio, ruído branco, bege, lilás. até som de sapo na lagoa eu arrisquei. tava foda. meu corpo com sono versus o som repetitivo do ventilador do vizinho — que se fosse um gato miando a noite inteira ou um grilo acasalando, não me causaria insônia. mas estou bem ciente de que a minha raiva não tem razão: o vizinho estava com calor, as paredes são grudadas, ele quis se refrescar a noite inteira, assim como no inverno eu preciso do aquecedor. não, eu não tenho razão. e aí faço o quê com isso que me queima? é ela que eu preciso aprender a usar a meu favor. eis que novamente o meu alvo sou eu mesma. meu semblante sério e calmo engana bem: a estética que até a minha raiva precisa ter. minha mãe é que sabia das coisas, ela dizia que eu era bem zen: zen paciência. mas não é só uma questão de paciência: preciso encontrar a textura do escuro e nela constituir minha nova pele. sigo então nesse meu processo de transmutar essa quentura toda em alguma força interessante — transmutar a bunda folgada, o barulho que arde, em puro devir.

mas eis que o cardamomo neste café simplesmente está valendo a minha existência: tem duração que se espalha pelo infinito engolindo o mundo como faz o sol.

12.9.19

doçura

já era o meio do dia quando entrei na livraria (as horas voam depois das 11 da manhã. fico puta.) entrei e logo achei o livro que era na verdade a minha segunda opção, pois eu tinha entrado com um livro de poesia na cabeça, mas acabei levando uma biografia literária recente, da mesma autora.

tive que soletrar o sobrenome da autora para o rapaz que me atendeu. e o fiz com doçura. fico pensando quantas pessoas não foram grossas e impacientes comigo com coisas que eu não sabia e aí você se sente meio retardado e vem uma autopiedade. tudo muito cafona e dolorido. mas é sério: quantas pessoas ainda não sofrem esse tipo de mau encontro? e aí como se salvam?

mas acontece então que eu soletrei com doçura o sobrenome, sem achar engraçado ou absurdo que ele não o soubesse. ele então me atendeu com a mesma doçura e com uma paciência, disponibilidade e gentileza tão genuínas, que eu me desconsertei. ah sim, gentilezas e inocências - às vezes tão cotidianamente pisadas - me fazem chorar. e também a lua está em peixes.

então nenhum grande acontecimento para contar. é só isso: uma mulher numa livraria, soletrando o sobrenome de uma escritora e se dando conta de que a doçura é realmente tão poderosa como a água do mar tocando os pés descalços.
o cheque

ri sozinha no ônibus lembrando da história do cheque (falar e rir sozinha são coisas que me acontecem com certa regularidade). foi mais ou menos assim: 

- filha, eu tô num mau humor danado.

- que houve, pai?

- cheguei na dentista às quatro da tarde e olha a hora que eu tô voltando. tô morrendo de fome, não consigo nem pensar.

- vamos tomar um lanche na padoca? depois a gente janta lá no Gui.

meu pai concordou com a cabeça e seguimos para a padaria. veio uma moça simpática nos atender.

- senhor? o pão integral acabou porque já estamos quase fechando. 

meu pai pega então o cardápio, contrariado e já quase bufando de fome, e faz o novo pedido em tom um pouco ríspido, enfatizando que queria pouca manteiga no pão. conheço meu pai. ai de nós se esse pão vem errado. eu solto então uma bronca, dizendo pra ele pegar leve e escolher melhor quem "merece" o mau humor dele. ele muda de assunto. o papo segue.

- nossa, filha, que canseira. desde as quatro horas da tarde lá, você acredita?

- e você achando que ia chegar às seis horas aqui... você sabe muito bem que a coisa ali é demorada.

- pois é. muito cansativo. fiquei tão zonzo na hora de levantar da cadeira da dentista que quando fui assinar o cheque errei a assinatura. 

- ai, jura?

- ia pagar parcelado, tive que pagar à vista.

foi quando comecei a rir copiosamente, quase engasgando com o suco. sabe aquela risada que vem na hora errada e você tem que administrar? ele viu que se tratava de comédia e riu junto.

- ia dar dois cheques, dei um só. fazer o quê, né.

10.9.19

"agora não pergunto mais aonde vai a estrada
agora não espero mais aquela madrugada"
(Milton Nascimento)


Vida vista da rede (foto: Fernanda Francoh)
andei lendo uns escritos antigos meus. eu que (ainda) apenas escrevo quando sou jogada nesse lugar. seja por uma presença, por uma fala, por um nada que vem, me encontra e me potencializa. ou um nada que me arranca do chão e me devasta. e nesse ato cartográfico que estou longe de terminar vou encontrando fluxos e entorpecimentos. na escrita é assim: está tudo ali entregue, estou toda ali no ato e no corpo que aquele ato produziu. fico abismada, estou pelada: tudo que sou naquele momento aparece. a escrita é minha pele, talvez. acontece então que essa nudez me permite espiar agora por que buracos andei ou, melhor dizendo, que buracos me espreita(ra)m. 

a porosidade errada que afunda o que pode-ser-em-nós tornando a gente mero caminho ou matéria para coisas que instauram um querer-ser-em-nós. resumindo: por que raios eu fui deixar de gostar da Fernanda Young se eu, no meu encontro com ela, me sentia livre e "poderosa com um capuccino na mão"? e não, eu não estou aqui hoje falando da Fernanda porque ela morreu. eu sequer estou falando dela, embora o que me faça escrever hoje seja ela, com suas fragilidades, beleza, gatos, doçura e toda essa força ingênua, desprotegida e intensamente provocativa que habitava nela — é que a morte tira de nós algumas preguiças: a morte é uma senhora forte que cansou da poeira sobre as coisas. e eu vou dizer que estou bem holly da vida, não com as pessoas que opinam de um tal modo que fazem você se sentir um imbecil se não aderir à visão de mundo delas (por elas já reza a irmã Selma), mas a coisa mesmo é comigo, é a minha porosidade avessada, descompensada, desafinada, que me incomoda profundamente: esse enfiar o pé no buraco cheio de lama e achar que estou mergulhando em fernando de noronha.

não vou escrever como quem conta uma história pra alguém. se escrita é pele, então palavra não é escolha. tenho que entrar e dançar com aquilo que passa. então à merda esse desejo de adequar frase e modos de dizer as coisas. à merda se você acha ou achava a Fernanda Young uma pseudo literatura. não é o que você acha que uma coisa deve ser ou que grau de técnica poética aquilo tem — como se esse atributo fosse universalizável e mensurável segundo os seus parâmetros — mas sim o que aquilo ao se encontrar comigo produz em mim ou o que eu me torno ao me encontrar com aquilo que me diz se algo é BOM ou RUIM pra mim. e o que eu me torno ao me conectar com aquilo que me diz que eu tenho que ler o que aquilo acha que é bom e "poesia de verdade"? ("real poetry" e a cafonice que é a arrogância). mas insisto que o foco esteja em mim, isso é importante, e não na arrogância de quem vem dizer o que é bom ou não, seja a pipoca, o filme, o livro, o autor. meu cu — que agora ando aderindo ao que eu chamo de filosofia do cu. mas acontece que eu embarquei porque algo em mim me permitiu, me lançou, deu liga e quis embarcar. então esse é agora o destino luminoso do meu olhar: o que em mim me fez embarcar no patético discurso do que era bom eu gostar ou desgostar? ai ai. penso agora por que não senti uma preguiça desse tipo de abismo. fiquei suspensa? talvez eu precisasse me perder um pouco? me desviar? como quem prova algo ruim pra só depois saber que não funciona. que cagada não ouvir a própria pulsação.

mas sabe, não importa que uma coisa às vezes demore assim. essa é a coisa boa do slow food: você espera bastante e depois vale a pena porque aquela comida boa precisou de duração para criar consistência. e é esse o processo do descagamento, do mapear nossas cumplicidades. é esse o ponto. importa é estar à espreita com todos os sentidos para criar novos sentidos.

(...)

Mas eu poderia ter dito tudo isso de uma forma mais poética e econômica:

Comendo pipoca e esquecida das horas, percebeu que a sua conexão com a lua nunca deixou de ser intensa, mesmo ouvindo do mundo que a lua era uma pseudo lua.

22.7.19

a dor me causa vontade de dançar.
flor do tempo

a despeito de todas as coisas tão negligenciadas em mim, tem um lugar aqui dentro que é e que segue tão delicado. é uma flor que renasce no tempo. é um sol que sempre amanhece. é uma coisa sendo o que é a despeito de todo o meu esforço contrário.
que horas são

faça isso
faça aquilo
chegue rápido
chegue antes
não pode cantar alto
obrigatório o uso de palavras
olhar nos olhos é perigoso
a nudez é perigosa
esmague o sentimento com os pés
não fique assim descalça tanto tempo
não deixe de cortar as unhas dos pés
lave a louça

café não pode
faça direito
dance direito
fale direito
isso é certo
isso não é
vista-se de alguém que possamos amar.
(foto: cena do curta "Anima", de Thom Yorke)

a cura e as camadas de caos
novos sentidos
nessa música que me amanhece
o caos que não cabe em mim
olho em volta busco um lugar
para me transbordar
derramar, derramar, derramar
como dançar é espalhar as estrelas
que não acabam jamais

26.6.19

ventania

carros invadem
enquanto ventos atravessam
folhas que o vento traz
pássaro amarelo
abacate e fim de tarde
nesga de sol bem no meio da manhã
cantoria que emerge
no inverno onde as coisas já são.

24.5.19

(foto: cena do filme italiano Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher)

















de trás pra frente

experimentou o avesso que era escrever as frases de trás pra frente. percebeu que o começo não era o começo e sim a última camada: a última linha é que era o começo. desagarrou-se do tempo então, pegou o violão e com as duas únicas notas que conhecia cantou sua canção. se lhe perguntassem o que ela sentia, não saberia. mas cantando ela sabia. como quem liberta uma voz ou muitas vozes. chovia.

acabou o filme e eu me poemei toda. fez subir, ferver, doer, vazar. percebi que dos encontros surgem essas rasgaduras que fazem vazar mais realidade. pensei comigo: por que em vez de falarmos que algo é azul, não escrevemos os poemas que foram rasgados na gente ao nos depararmos com o que é azul?

21.5.19


quantas vezes
a dor parecia grande demais
o dinheiro curto demais
o tempo curto demais
tudo longe demais
e o chuchu podendo cair a qualquer momento no quintal.

a cabeça com coisas demais
o fogo queimando demais
água caindo demais
tudo muito
e a flor que brotou e eu nem vi.
mas sempre a roda há de girar
e o tempo das coisas amolecerá
aquecendo as juntas de novo
amanhecendo novas curvas.

1.5.19

imagem: ©mcornelius
vulnerável

se eu estivesse com os olhos no celular eu não teria visto o que eu vi: uma pombinha, no estreito muro que divide a estrada, entre carros e mais carros, infindáveis carros correndo em seu fluxo veloz. de um lado e de outro: carros. aconteceu que eu vi o pássaro e me conectei com ele completamente.
e aí logo caiu minha ficha: "meu deus, como esse pássaro vai sair daí?" e demorou uns bons segundos até chegar a resposta - cruelmente óbvia: o único jeito dela se salvar seria voando.

foi quando, então, a despeito do vento forte no muro, ela começou a dar seus passinhos para frente, se equilibrando entre o que ia e o que vinha, esperando o melhor momento.
mas como? como ela saberia a hora de voar?
andando devagarinho e com a dificuldade focada de quem se equilibra a despeito de tudo, ela foi então andando os seus passinhos, um a um.
apertou o passo, e correndo aos pulinhos voou seu voo errante sobre os carros.
levei as mãos à cabeça. meu coração deu um salto. o mundo parou pra eu olhar aquela coragem. quanta força! quanta vontade de vida nesse voo.
e foi assim que a pombinha usando as suas asas chegou do outro lado da estrada.

3.4.19

ouve

não posso contar
o que o filme conseguiu
o que o instante me cortou
o que o instante me abriu
o quê
não posso contar
mas posso cantar 
enquanto venta
ouve

no metrô lotado, segurava seu livro fechado. sem o livro aberto e com os pés apertados - mas tinha por onde esticar os seus olhos. foi em pé então que o cansaço acordou o tempo. dos tempos inexistentes que a vida brotava a despeito e dos trens lotados dos dias de desespero. onde a vida não acontece espera um canto de areia. e o que eu disse não é o que eu disse e apenas e somente a areia ventando nos meus pés.



9.5.18

dançarino do deserto

eu vi um filme tão bonito: era uma história de um dançarino iraniano que só se sentia livre dançando.
um mestre ao contrário



















no inferno não tem silêncio.


estou sempre às voltas com a questão do silêncio. mudei de casa por conta de uma parede fina que deixava passar todos os sons do vizinho. vim para uma outra casa, aconchegante e com uma varanda de onde eu olho o céu. aqui passam muitos carros e tem um bar quase em frente onde as pessoas sentam na calçada pra comer e conversar alto a qualquer hora do dia, da tarde e da noite. às vezes chegam a ocupar a rua e a fumaça do churrasco queimado sobe como uma música estragada.

me dou conta de uma necessidade quase visceral de um direito a um silêncio profundo onde eu possa não ouvir o barulho dos outros, o barulho invasivo do mundo. teve um dia que chorei o dia inteiro porque estavam arrancando a árvore que embelezava a minha janela. 

durante o dia, todos os dias vazam gritos, carros, caminhões, furadeiras, serradeiras. vazam barulhos por todos os lados, escorrem como água suja: onde houver buraco eles passam. me sinto atravessada de coisas que não gosto, excessivas, 

gritadas e sem delicadeza elas vão entrando como uma comida indigesta. e penso se então eu estaria no lugar errado. 

"se o silêncio é a voz das coisas, então as coisas estão mudas", eu penso. e vou e sigo criando lugares dentro de mim, mundos intocáveis pelo barulho árido, onde eu tenha alguma paz. me conecto com instâncias que me proporcionam esse contato primordial com algo mais profundo, igual é no fundo do mar. e o barulho então me clareia a percepção da necessidade do contrário do barulho.

23.2.18

Ensinamentos de uma lua em capri














Eu devia ter uns 10 ou 11 ou 8 ou 7 anos. Ai, não me lembro. Descíamos do fusca branco, a caminho de casa.
– Deixa, João. Ela precisa enfrentar.
Na minha lembrança de criança, um bando de meninos bem maiores do que eu vindo na minha direção, montados em suas bicicletas gigantes. Vou ser atropelada, estou desprotegida, vou morrer – era a minha pulsação naquele instante que durou até hoje.
Os meninos tinham um ar provocativo-endemoniado. Até que ponto era realmente isso eu não sei, mas no meu sentimento é a realidade com a qual preciso lidar, acolher, deixar ir. Existe o real e o tornado-real. Que eram meninos e que estavam montados em bicicletas, isso eu tenho certeza. Não sei o quanto de realidade eu criei e o quanto eram eles mesmos. Mas isso não importa. Importa que na realidade que levei comigo, eles vinham avançando como numa cavalaria, sem delicadeza e sem escrúpulos. Eu podia ter virado farelinho. Mas não virei. Nada aconteceu – e tudo aconteceu.
Hoje penso sobre o que minha mãe estaria querendo me ensinar. E que talvez ela estivesse certa. Me queria forte. Me queria inteira para o que viesse na minha direção. E mesmo com medo eu devo ter enfrentado, pois não me lembro de ter saído correndo. Mas ficou um ranço – não dos meninos, não das bicicletas – mas da abordagem lua-em-capri da minha mãe. Que cu essa desproteção. Que cu essa vulnerabilidade. Que desconforto absurdo. Sozinha e desprotegida: foi essa a sensação que levei comigo. Será que eu estava pronta pra vivenciar isso? Não importa. O que importa é que algo me foi ensinado ali. E hoje me dou conta do recado. Hoje a ficha caiu.
O que Cecília Meireles teria me ensinado vinte e tantos anos depois, com seus versos “vai, sem caminho marcado. tu és o de todos os caminhos”, minha mãe, ao seu modo, me ensinou também.

25.12.17

passo

seguir sobriamente
um delírio de presença
real e respirável

não sei o que meus passos irão encontrar. o chão que se faz ao longo da caminhada ao mesmo tempo me assusta e me produz. o combate necessário ao que em mim não é a própria vida desejante de vida. e nesse sentido todos os caminhos são e tudo pode a vida na sua própria beleza ainda desconhecida. neste eterno tornar-se. o que me cabe então é estar nesta noite que me acontece. ou nesse dia que me amanhece, nessa tarde, nesse café, e até nessa praça abandonada, no veneno e nas toxinas derramados pela escada. nos meus excessos, nas minhas ruas desertas. no que cada coisa pode ser desdobrada. na vida que escorre, pelos braços até a ponta dos dedos: infinitamente.

2.4.17

















"às vezes treme um pouco enquanto brilha:
como uma lua
atravessando o céu"


e lá estava ela: uma aranha imensa, em pleno voo, tecendo seus novos caminhos. porque "para existir não era preciso pressa" - ela me disse, como quem conta uma piada séria, toda ocupada em ser uma aranha. e então era isso e só isso que tudo esperava de mim: era preciso estar ali e nada mais. e foi assim que a aranha brilhou o seu brilho trêmulo e real diante dos meus olhos.

20.3.17

a borboletinha

ela pousou. e eu me aproximei com todo meu silêncio possível, minha reverência e minha alegria. e sem perceber eu estava dizendo pra ela: eu vejo você. eu vejo você. aí acho que ela gostou de ser vista por mim (viu que eu sorria) e de brilhar totalmente livre bem no meio do dia.

14.11.16

infinitum

toma aqui minha nudez
toma aqui minha solidão, minha lágrima, 
minha turbulenta alegria
e agora?
pois é:
não cabe.
abraço nenhum aguenta o que somos