12.9.19

o cheque

ri sozinha no ônibus lembrando da história do cheque (falar e rir sozinha são coisas que me acontecem com certa regularidade). foi mais ou menos assim: 

- filha, eu tô num mau humor danado.

- que houve, pai?

- cheguei na dentista às quatro da tarde e olha a hora que eu tô voltando. tô morrendo de fome, não consigo nem pensar.

- vamos tomar um lanche na padoca? depois a gente janta lá no Gui.

meu pai concordou com a cabeça e seguimos para a padaria. veio uma moça simpática nos atender.

- senhor? o pão integral acabou porque já estamos quase fechando. 

meu pai pega então o cardápio, contrariado e já quase bufando de fome, e faz o novo pedido em tom um pouco ríspido, enfatizando que queria pouca manteiga no pão. conheço meu pai. ai de nós se esse pão vem errado. eu solto então uma bronca, dizendo pra ele pegar leve e escolher melhor quem "merece" o mau humor dele. ele muda de assunto. o papo segue.

- nossa, filha, que canseira. desde as quatro horas da tarde lá, você acredita?

- e você achando que ia chegar às seis horas aqui... você sabe muito bem que a coisa ali é demorada.

- pois é. muito cansativo. fiquei tão zonzo na hora de levantar da cadeira da dentista que quando fui assinar o cheque errei a assinatura. 

- ai, jura?

- ia pagar parcelado, tive que pagar à vista.

foi quando comecei a rir copiosamente, quase engasgando com o suco. sabe aquela risada que vem na hora errada e você tem que administrar? ele viu que se tratava de comédia e riu junto.

- ia dar dois cheques, dei um só. fazer o quê, né.

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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.