doçura
já era o meio do dia quando entrei na livraria (as horas voam depois das 11 da manhã. fico puta.) entrei e logo achei o livro que era na verdade a minha segunda opção, pois eu tinha entrado com um livro de poesia na cabeça, mas acabei levando uma biografia literária recente, da mesma autora.
tive que soletrar o sobrenome da autora para o rapaz que me atendeu. e o fiz com doçura. fico pensando quantas pessoas não foram grossas e impacientes comigo com coisas que eu não sabia e aí você se sente meio retardado e vem uma autopiedade. tudo muito cafona e dolorido. mas é sério: quantas pessoas ainda não sofrem esse tipo de mau encontro? e aí como se salvam?
mas acontece então que eu soletrei com doçura o sobrenome, sem achar engraçado ou absurdo que ele não o soubesse. ele então me atendeu com a mesma doçura e com uma paciência, disponibilidade e gentileza tão genuínas, que eu me desconsertei. ah sim, gentilezas e inocências - às vezes tão cotidianamente pisadas - me fazem chorar. e também a lua está em peixes.
então nenhum grande acontecimento para contar. é só isso: uma mulher numa livraria, soletrando o sobrenome de uma escritora e se dando conta de que a doçura é realmente tão poderosa como a água do mar tocando os pés descalços.
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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.