1.5.19

imagem: ©mcornelius
vulnerável

se eu estivesse com os olhos no celular eu não teria visto o que eu vi: uma pombinha, no estreito muro que divide a estrada, entre carros e mais carros, infindáveis carros correndo em seu fluxo veloz. de um lado e de outro: carros. aconteceu que eu vi o pássaro e me conectei com ele completamente.
e aí logo caiu minha ficha: "meu deus, como esse pássaro vai sair daí?" e demorou uns bons segundos até chegar a resposta - cruelmente óbvia: o único jeito dela se salvar seria voando.

foi quando, então, a despeito do vento forte no muro, ela começou a dar seus passinhos para frente, se equilibrando entre o que ia e o que vinha, esperando o melhor momento.
mas como? como ela saberia a hora de voar?
andando devagarinho e com a dificuldade focada de quem se equilibra a despeito de tudo, ela foi então andando os seus passinhos, um a um.
apertou o passo, e correndo aos pulinhos voou seu voo errante sobre os carros.
levei as mãos à cabeça. meu coração deu um salto. o mundo parou pra eu olhar aquela coragem. quanta força! quanta vontade de vida nesse voo.
e foi assim que a pombinha usando as suas asas chegou do outro lado da estrada.

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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.