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| (foto: cena do filme italiano Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher) |
de trás pra frente
experimentou o avesso que era escrever as frases de trás pra frente. percebeu que o começo não era o começo e sim a última camada: a última linha é que era o começo. desagarrou-se do tempo então, pegou o violão e com as duas únicas notas que conhecia cantou sua canção. se lhe perguntassem o que ela sentia, não saberia. mas cantando ela sabia. como quem liberta uma voz ou muitas vozes. chovia.
acabou o filme e eu me poemei toda. fez subir, ferver, doer, vazar. percebi que dos encontros surgem essas rasgaduras que fazem vazar mais realidade. pensei comigo: por que em vez de falarmos que algo é azul, não escrevemos os poemas que foram rasgados na gente ao nos depararmos com o que é azul?

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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.