5.9.16

flor do tempo

ela sabia que quando a lua entrasse em escorpião sentiria o alívio dos que saem de uma crise alérgica. a lua encontrando novamente sua natureza fria e úmida: e foi exatamente assim. a segunda-feira que começou lenta, ela decidiu que acordaria agradecendo por estar respirando de novo. e foi lavar a roupa acumulada, limpou a poeira seca e velha que os cantos da casa falavam. e então as coisas que se quebram pelo caminho - ela pensou - deve ser porque serviram de passagem e precisavam quebrar. e o dia seguiu entre o tenso e o divino, como se não houvesse tempo pra mais nada além do agora, nem nenhuma vida que não fosse a sua: era o tempo querendo se libertar do pó que esconde o invisível rio interior. 

mas que forças são essas que sustentam o coração quando o chão parece tremer? diante das coisas tão grandes sentir essa espécie de calma era assim tão estranho quanto não dormir de cansaço. estaria ela anestesiada ou bem desperta? o que doía era menor do que essa força visceral que corria nela ou o que doía era tão forte e grande que a alma dormia? não doer mais era um mistério pra ela: queria entender.

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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.