29.9.16

a lagarta e eu

uma menina cheia de pressa sacudiu a mochila fazendo cair de si um bichinho.

vi que era comprido, escuro e que se mexia. fui olhar de perto: era uma lagarta indo pra lugar nenhum. e aquela lagarta era eu: ali, no meio do chão onde nada fazia sentido.

peguei a folha de papel que estava perfeitamente disponível. e ela veio pra mim sabendo do que se tratava.

naqueles instantes não olhei mais nos olhos de ninguém, porque nada importava mais, tudo temporariamente deixando de existir, exceto a intensidade inocente de uma cumplicidade recém-descoberta.

desapareci enquanto um mero corpo finito que vai e que vem na vida, sem substância e sem graça, e os meus olhos e tudo em mim servindo a um só caminho que era chegar ao jardim com aquela lagartinha.

: a lagartinha me salvou sem saber.

Um comentário:

Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.