a lagarta e eu
uma menina cheia de pressa sacudiu a mochila fazendo cair de si um bichinho.
vi que era comprido, escuro e que se mexia. fui olhar de perto: era uma lagarta indo pra lugar nenhum. e aquela lagarta era eu: ali, no meio do chão onde nada fazia sentido.
peguei a folha de papel que estava perfeitamente disponível. e ela veio pra mim sabendo do que se tratava.
naqueles instantes não olhei mais nos olhos de ninguém, porque nada importava mais, tudo temporariamente deixando de existir, exceto a intensidade inocente de uma cumplicidade recém-descoberta.
desapareci enquanto um mero corpo finito que vai e que vem na vida, sem substância e sem graça, e os meus olhos e tudo em mim servindo a um só caminho que era chegar ao jardim com aquela lagartinha.
: a lagartinha me salvou sem saber.
Lindo!
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