23.11.15

e a única coisa que podia acalmá-la era mexer o corpo. soltou-se dos chinelos e com os pés descalços começou a sequência de artes marciais que ela não queria esquecer nunca, ali bem no meio da minúscula cozinha. fez uma, duas, cinco vezes talvez, e foi ali se repetindo até cansar a respiração. até que tudo nela tivesse menos urgente. a chuva caía larga e ardia ainda. o lençol devia já ter secado no varal, e ainda tanta coisa a fazer: a louça, a comida, as coisas da vida: ah, o dia não perdoa. então é assim que a vida vai levando, entre um fluxo e outro, a dança que nunca desiste, a condição suprema que é estar acordada num mundo de carne, osso e paredes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.