17.9.15

sim, era sozinha que se existia. e pra cada instante que acontecia uma força fazia dançar dentro dela. aprendeu aprendeu. aprendeu que não adiantava querer ser outra coisa. 

comprou livro de receitas, foi ao supermercado, voltou e lembrou que tinha esquecido, cantou, tomou banho, abriu janela, conversou com ninguém, amou no fim de semana, se acostumou, foi e voltou, reclamou que não chovia, evitou fila, teve medo de não chover mais, choveu, saiu correndo, pegou as roupas do varal. arrumou os livros. cansou, acordou, sorriu, esperou. errou, acertou, descobriu. correu mais, não chegou. caiu, levantou. encontrou, desarrumou, sonhou, viveu, pulsou, doeu, cozinhou, regou, mudou. abriu e fechou portão no fim da tarde. quis ver o mar, foi ver o mar, sentou e conversou com o mar. trouxe o recado no peito. lembrou e esqueceu. comprou um amaciante que tinha cheiro de fumaça. desistiu, olhou pro céu. cortou o dedo, machucou os pés, criou calo. deu risada. pediu pão na chapa. chorou e se acalmou com a beleza, e escreveu - já que não podia gritar. deitou sem saber que aquilo era voar. viu o tempo oco. e viu o tempo das rosas. jogou coisa fora. batucou na praia. tatuou uma rosa selvagem. sentiu a areia nos pés. aceitou jogar frescobol com o menino alegre. olhou nos olhos do horizonte. dançou sozinha sem se sentir sozinha. descobriu que era feita da mesma poeira das estrelas. ficou zonza depois do beijo. iluminou-se de realidade. e iluminou-se de realidade. viu os abismos de perto, pulou várias vezes. lavou louça na hora do vazio mais seco. respirou. falou demais. interrompeu. teve medo. correu, se atrasou. teve até um dia que regou a planta da vizinha pra não secar. acordou e não sentiu nada, se desesperou. foi à feira, pegou do chão um maço de manjericão. para os livros, era a estante amarela. e a galocha vermelha era para os dias de chuva. consertou o chuveiro. espalhou pétalas de rosas pra ela. colou frase na parede. estudou filosofia, alargou-se. guardou canetas dentro da caneca. fez caber o impossível dentro de espaços pequenos. descobriu que gosta de batata-doce e que fica uma delícia cozinhar o alho na casca junto da pipoca. quebrou um dente na véspera do aniversário. amou mais quando pensava estar perdida. aprendeu sobre o sim e sobre o não. desabrochou - e desabrochou com os próprios pés.

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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.