devir-clarice
era domingo. era depois. a gata veio e lambeu seu rosto cansado e amanhecido. seu destino era com os gatos, no ser-com o silêncio deles ela ficava maior e mais calma. foi então num entretempo que ela sentiu vontade. igualzinho quando a flor vai e se ergue no asfalto, ela teve vontade - mesmo cansada. ela que produzia, que fazia, que ia e que cansava, ela teve então vontade e foi enquanto caminhava no entretempo do dia. sentou-se com Clarice ali mesmo, olhou-a com a ternura de quem faz um café sem esperar nada da vida. pensou consigo que queria um pastel de feira com caldo de cana. e que seu dia seria singelo. viu que mesmo no árduo da vida ela podia ser. ela não se esquecia, quase nunca, de viver.
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Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.