29.10.14

virando dia

a rua tão calma, tudo dorme. mas aqui dentro há um caos colorido, e o que eu quero dizer é do tamanho de um oceano. ah se eu me embalar nos meus excessos corro o risco de me sair ventando e o vento pode virar algum barco. é preciso cautela e prudência pra navegar em alto mar. eu não quero nada além de dizer, não a coisa em si, mas a pulsação da coisa. a pulsação que é inocente em si. ir pela palavra então é uma forma de conhecer a natureza da coisa. como quem beija e funda um outro tempo. e se eu puder pedir, peço isso: que as pessoas saibam ser-consigo. antes de tudo, isso. e que tenham paz e pouso. o dever-ser como caminho fácil pra lugar nenhum. árduo mesmo é ir pelo desejo. que o desejo é quem sabe do âmago das nossas forças. é ele que ergue as mangas pra criar. é dele que vem o ar. e a gente sabe se o caminho é o nosso na medida em que a gente se alegra com a chuva... quero estar assim: no perto das minhas chuvas, sem medo da cor que é existir. saber de mim, do que me atravessa. ser-com a estrela da madrugada. e isso é bonito porque respirar a estrela acende o meu peito de imensidão. e eu sou simples, infinita e inacabada. estou aprendendo a viver.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.