dance
porque dentro de mim há um lago fundo, um alto escuro luminoso que nem eu conheço direito. há em mim o tempo das coisas, vestido de borboleta amarela. vestido de rosa da noite. eu então dou um passo à frente, tiro o tempo pra dançar. arrumo a gravata e a saia, estou descalça. estou de joelhos. agora sou eu que te levo, tempo? que eu aprecio dançar.
a verdade é que uma dor tem em si todas as dores e cansaços ancestrais. às vezes a vida dói e parece que vamos quebrar, mas não. porque o tempo vem dizer assim "é a minha vontade" ou será que ele diz "eu te desafio" ou "a vida é tudo e qualquer coisa" ou "calma e desespero são a mesma coisa" ou "dança simplesmente"? ah, me resta, como sempre, fazer o que se faz quando vira noite: eu vou até dentro do vento, procuro no escuro as faíscas.
o que aconteceu é que eu não sei mais viver sem estar viva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentário do Ó: um momento de olhar por escrito.