31.12.04
o lado ó do cotidiano
Às vezes fico injuriada com o tempo que me tomam as coisas cotidianas. Coisas do tipo limpar o fogão, lavar o piso, varrer, ir pro tanque, enxugar louça. Fico emputecida de ter que passar meu tempo fazendo essas coisas. Sei que isso vai soar fresco e arrogante, mas gostaria de poder aproveitar o meu tempo e fazer o que realmente tenho vontade, ou pelo menos fazer um pouco mais o que tenho vontade.
Hoje o dia está lindo e eu sinto me coração aberto para um ano um tanto imprevisível, eu acho, e para mudanças. Sou movida por mudanças. Há tanto o que escrever, meu coração vibra...
Como diz aquela música maravilhosa do Radiohead, o acaso é maravilhoso sim, mas também queremos viver de momentos simples, sem muita surpresa, abrir e fechar a geladeira, e ficar no sofá assistindo a um filme.
Puts, descobri que vendem açaí no supermercado. Agora sim está tudo perdido mesmo.
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Às vezes fico injuriada com o tempo que me tomam as coisas cotidianas. Coisas do tipo limpar o fogão, lavar o piso, varrer, ir pro tanque, enxugar louça. Fico emputecida de ter que passar meu tempo fazendo essas coisas. Sei que isso vai soar fresco e arrogante, mas gostaria de poder aproveitar o meu tempo e fazer o que realmente tenho vontade, ou pelo menos fazer um pouco mais o que tenho vontade.
Hoje o dia está lindo e eu sinto me coração aberto para um ano um tanto imprevisível, eu acho, e para mudanças. Sou movida por mudanças. Há tanto o que escrever, meu coração vibra...
Como diz aquela música maravilhosa do Radiohead, o acaso é maravilhoso sim, mas também queremos viver de momentos simples, sem muita surpresa, abrir e fechar a geladeira, e ficar no sofá assistindo a um filme.
Puts, descobri que vendem açaí no supermercado. Agora sim está tudo perdido mesmo.
30.12.04
Sinto que falta um pouco de novidade nesse blog. Não foi à toa que eu tive um surto ontem de comprar um livro da Fernanda Young. É essa sede de novidade que me move, sede de conhecer as coisas, acessar o que não se vê. Isso é sempre novidade. A vida subjacente ao que se vê é sempre novidade.
Bom, o episódio da carteira que eu esqueci no orelhão, eu na verdade não queria gastar muitas linhas com isso. Deixei no orelhão, imaginem, quando voltei tinha três. Enfim, no final das contas, encontrei no achados e perdidos do shopping, sem a bufunfa, claro, pois o ser humano não se cura mesmo. Mas beleza, estava todo o resto lá, a foto e o cartão do banco, graças a deus a criatura teve a nobreza de não levar.
Estou cercada de pessoas maravilhosas, queria saber como agradecer aos céus por isso. Digo isso porque sempre que eu me sinto bem, me sinto livre, leve, vem junto essa sensação de entendimento e aceitação. Conseqüentemente quero agradecer, quero multiplicar isso para fora de mim. Nada mais de pequeno importa. Queria de verdade que essa sensação me percorresse todos os dias.
Esse blog poderia mudar de nome... "digressões a la fernandeska"?
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Bom, o episódio da carteira que eu esqueci no orelhão, eu na verdade não queria gastar muitas linhas com isso. Deixei no orelhão, imaginem, quando voltei tinha três. Enfim, no final das contas, encontrei no achados e perdidos do shopping, sem a bufunfa, claro, pois o ser humano não se cura mesmo. Mas beleza, estava todo o resto lá, a foto e o cartão do banco, graças a deus a criatura teve a nobreza de não levar.
Estou cercada de pessoas maravilhosas, queria saber como agradecer aos céus por isso. Digo isso porque sempre que eu me sinto bem, me sinto livre, leve, vem junto essa sensação de entendimento e aceitação. Conseqüentemente quero agradecer, quero multiplicar isso para fora de mim. Nada mais de pequeno importa. Queria de verdade que essa sensação me percorresse todos os dias.
Esse blog poderia mudar de nome... "digressões a la fernandeska"?
28.12.04
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar um belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
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Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar um belíssimo Ano Novo cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
27.12.04
Em homenagem à Monstrinha, minha mais nova leitora:
"Somente o acaso tem voz. As coisas que acontecem cotidianamente em nossas vidas não passam de coisas mudas, pois em nada alteram nossas vidas".
Millan Kundera , in A Insustentável Leveza do Ser
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"Somente o acaso tem voz. As coisas que acontecem cotidianamente em nossas vidas não passam de coisas mudas, pois em nada alteram nossas vidas".
Millan Kundera , in A Insustentável Leveza do Ser
Toinc toinc toinc, sinto o cheiro da minha inspiração voltando...
Engraçado, esses dias eu estive pensando sobre como sou uma pessoa de cheiros. Normalmente, se eu não curto o cheiro de uma pessoa, isso já é para mim um sinal de que eu não vou me dar muito bem com ela. Com a voz, a mesma coisa. Se a voz de alguém me irrita, não adianta nem tentar. Sou sensível a várias coisas, mas cheiro e voz são os primeiros que vão determinar se eu sintonizo mais ou menos com alguém. Não é que eu não curta o cheiro da pessoa, mas é como se o cheiro fosse um elemento discordante do resto. Entende? É como se o cheiro não fosse fiel ao todo que a pessoa representa. Há algo discordante e eu devo perceber isso. A voz eu acho que vai muito da intensidade. Não é nem timbre. É como a pessoa articula, a tonicidade das palavras, o ritmo da fala, a forma que ela dá, com a voz, ao que ela está sentindo e quer dizer. A pausa e o silêncio da fala. Gosto de pessoas que dizem palavras cheias e ritmadas. Gosto das pausas inesperadas.
Agora eu estou com essa mania de escrever a la poèthe. Cheia dessas pausas bregas. Digressões, para os íntimos.
Ganhei de Natal um DVD da minha mãe autografado por nada mais nada menos que Marisa Monte. Ela esteve na Fnac e minha mãe pegou 3 horas de fila pra conseguir isso. Detalhe mórbido: ela me ligou lá da Fnac pra Marisa falar comigo do celular, e eu estava na locadora trabalhando, SEM o celular. Comentários?
Bom, quando estou assim com assuntos sortidos, quer dizer que estou de bom humor, ou pelo menos não tão pouco inspirada.
Ao mesmo tempo que eu gostaria de ouvir das pessoas como elas me vêem e o que vêem em mim, tenho medo de me afundar no conceito delas. Ainda não tenho muita disciplina necessária para saber separar a minha verdade de uma visão apenas. Como me disse uma vez uma amiga do coral, se me falarem que sou azul, sou capaz de acreditar, por um momento.
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Engraçado, esses dias eu estive pensando sobre como sou uma pessoa de cheiros. Normalmente, se eu não curto o cheiro de uma pessoa, isso já é para mim um sinal de que eu não vou me dar muito bem com ela. Com a voz, a mesma coisa. Se a voz de alguém me irrita, não adianta nem tentar. Sou sensível a várias coisas, mas cheiro e voz são os primeiros que vão determinar se eu sintonizo mais ou menos com alguém. Não é que eu não curta o cheiro da pessoa, mas é como se o cheiro fosse um elemento discordante do resto. Entende? É como se o cheiro não fosse fiel ao todo que a pessoa representa. Há algo discordante e eu devo perceber isso. A voz eu acho que vai muito da intensidade. Não é nem timbre. É como a pessoa articula, a tonicidade das palavras, o ritmo da fala, a forma que ela dá, com a voz, ao que ela está sentindo e quer dizer. A pausa e o silêncio da fala. Gosto de pessoas que dizem palavras cheias e ritmadas. Gosto das pausas inesperadas.
Agora eu estou com essa mania de escrever a la poèthe. Cheia dessas pausas bregas. Digressões, para os íntimos.
Ganhei de Natal um DVD da minha mãe autografado por nada mais nada menos que Marisa Monte. Ela esteve na Fnac e minha mãe pegou 3 horas de fila pra conseguir isso. Detalhe mórbido: ela me ligou lá da Fnac pra Marisa falar comigo do celular, e eu estava na locadora trabalhando, SEM o celular. Comentários?
Bom, quando estou assim com assuntos sortidos, quer dizer que estou de bom humor, ou pelo menos não tão pouco inspirada.
Ao mesmo tempo que eu gostaria de ouvir das pessoas como elas me vêem e o que vêem em mim, tenho medo de me afundar no conceito delas. Ainda não tenho muita disciplina necessária para saber separar a minha verdade de uma visão apenas. Como me disse uma vez uma amiga do coral, se me falarem que sou azul, sou capaz de acreditar, por um momento.
26.12.04
Estou um bagaço humano. Não consigo fazer durar uma sensação que seja de leveza. Sei do que as pessoas dizem de tudo isso ser um momento apenas, uma fase de correrias, de não tempo para o que importa, de muito trabalho e cumprimento de obrigações e tarefas.
Estou aprendendo sobre disciplina? Talvez. Mas também me sinto em falta com a qualidade das coisas.
Parece que sempre estou entre extremos, procurando o equilíbrio, o meio-termo, nem sei mais se existe alguma coisa no meio. Precisava ler algo que me sustentasse espiritualmente, que me fortalecesse a alma para viver os momentos de uma forma mais verdadeira e presente.
Não, eu quase não vivo onde estão meus pés.
Onde estará minha paz agora, em que tudo parece mais escuro? Como lidar com essas horas de vazio?
Onde está aquela sensação de gratidão por estar viva?? Onde está o elemento vital dos meus dias?
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Estou aprendendo sobre disciplina? Talvez. Mas também me sinto em falta com a qualidade das coisas.
Parece que sempre estou entre extremos, procurando o equilíbrio, o meio-termo, nem sei mais se existe alguma coisa no meio. Precisava ler algo que me sustentasse espiritualmente, que me fortalecesse a alma para viver os momentos de uma forma mais verdadeira e presente.
Não, eu quase não vivo onde estão meus pés.
Onde estará minha paz agora, em que tudo parece mais escuro? Como lidar com essas horas de vazio?
Onde está aquela sensação de gratidão por estar viva?? Onde está o elemento vital dos meus dias?
9.12.04
21 gramas?
E eu que sou anti-remédios, acordei hoje quase aos pulos de tanto tossir. Estou assim há uns 3 dias, acho que meu surto de tosse começou no sábado, que foi meu dia de esgotamento mor. Ninguém merece o não tempo deste mundo.
Bom, de repente agora é um momento em que meu corpo não me dá muita escolha: pára e repensa tua vida, criatura. Para que vivemos? Onde estão meus sonhos? Sou livre? Talvez eu esteja precisando assistir a um filme de humor, retomar aquela sensação boa, de confiança na vida, e em alguma Força maior.
Eu estou um ponto de interrogação ambulante. Pára tudo. Para onde eu estou caminhando? Não quero mais isso. Não quero correr no meio desse Nada impessoal.
Há uns dias eu tentei escrever, não saía nada. Engraçado, mas me sinto mais livre para escrever quando estou insatisfeita, quando estou com um sentimento de transição em relação a algo. Minha escrita está em sintonia com a percepção do que precisa mudar, adoro o debate. Adoro a morte-nascimento das coisas. Aquele momento-instante em que algo passa a existir de verdade.
Onde está o sentimento único dos dias? Das horas?
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E eu que sou anti-remédios, acordei hoje quase aos pulos de tanto tossir. Estou assim há uns 3 dias, acho que meu surto de tosse começou no sábado, que foi meu dia de esgotamento mor. Ninguém merece o não tempo deste mundo.
Bom, de repente agora é um momento em que meu corpo não me dá muita escolha: pára e repensa tua vida, criatura. Para que vivemos? Onde estão meus sonhos? Sou livre? Talvez eu esteja precisando assistir a um filme de humor, retomar aquela sensação boa, de confiança na vida, e em alguma Força maior.
Eu estou um ponto de interrogação ambulante. Pára tudo. Para onde eu estou caminhando? Não quero mais isso. Não quero correr no meio desse Nada impessoal.
Há uns dias eu tentei escrever, não saía nada. Engraçado, mas me sinto mais livre para escrever quando estou insatisfeita, quando estou com um sentimento de transição em relação a algo. Minha escrita está em sintonia com a percepção do que precisa mudar, adoro o debate. Adoro a morte-nascimento das coisas. Aquele momento-instante em que algo passa a existir de verdade.
Onde está o sentimento único dos dias? Das horas?

